18 de dezembro de 2010

Escritos Aromáticos

(para demonstrar e ser vítima do que já dizia Baudelaire, e muitos muitos outros acerca das coisas que o homem faz durante a noite, alguns durante o dia. Escrito a meados de Julho)

A antiga sensação, parece nova a cada experiência, misturada com os futuros devaneios, esperanças, merecedoras de extinção, merecem o esquecimento e permanente anexo às presentes circunstâncias. É esperada a incompreensão, até mesmo do material riscador, até mesmo no presente momento, mas nada mais é aconselhável, a guerra com a inata característica de preguiça foi já eliminada na noite anterior, agora resta preservar os luminosos momentos de sage, de pensativa milonga. Os carros lentos as pessoas aparentes e as tentativas de possíveis crónicas, estas últimas sempre deturpadas por monstruosas e às vezes merecedoras de gozo, METÁFORAS. Sem crédito são as linguagens de um mero mortal, que começa noite após noite um belo ritual, limita-se a uma folha e troca as letras nas suas frases, pensa em anagramas ensinados pela maçã, pensa sempre em chegar ao amanhã vivo, e relatar a história, uma dia não há de lá chegar, mas os hieróglifos permanecerão intactos.
Pedras da Memória os chamou.


O som do carvão provavelmente frio nas páginas soltas.
Alimenta as crenças de que tudo é bela matéria e vibração.

14 comentários:

  1. O cinema (na minha opinião) não é ficção, é como disse à inês:

    «O cinema é como diz João Botelho, "uma arte falsa", e simultaneamente é um espelho. No entanto não considero o cinema ficção, mas sim uma tradução da realidade, isto é, diferentes verdades/perspectivas do que é a vida.»
    "A arte não é opinião, é conhecimento."

    Relativamente às salas de cinema penso que depende do cinema (pelo menos em Lisboa).
    Se for ver um filme, qualquer este seja, num centro comercial, não encontro aquele ambiente cinéfilo que se observa no The Dreamers.
    No entanto se for à Cinemateca ou ao cinema Quarteto, é precisamente essa atmosfera que se encontra presente nas salas de cinema.

    O próprio realizador João Botelho decidiu colocar a sua última obra, O Filme do Desassossego, nos teatros, ao invés de ser nos cinemas, como forma de recriar a atmosfera cinéfila que antes existia numa sala de cinema e que aos poucos se foi desvanecendo.

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  2. "Marquis de Sade: I write of the great, eternal truths that bind together all mankind. The whole world over, we eat, we shit, we fuck, we kill and we die.

    Coulmier: But we also fall in love, we build cities, we compose symphonies, and we endure. Why not put that in your books as well."
    (Quills)

    A verdade é esta dualidade, que se encontra presente em tudo o que é vida. E penso que ninguém vive realmente na ignorância, pois ninguém está isento de sofrimento, e é este que nos desperta para a realidade tal como ela é.
    Embora o conhecimento da verdade em si, seja diferente em cada um de nós.

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  3. Provavelmente o texto mais simples e verdadeiro, bem como um dos mais íntimos que aqui li (penso).

    "A antiga sensação, parece nova a cada experiência, misturada com os futuros devaneios, esperanças, merecedoras de extinção, merecem o esquecimento e permanente anexo às presentes circunstâncias." (Remete o meu pensamento para o amor)

    O restante das palavras é uma encantadora e ao mesmo tempo triste descrição do que é para ti, e quem sabe para outros, ser escritor.

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  4. Não é necessário sofrer de uma anomalia psíquica para ser outra pessoa.

    Para isso, basta apenas a solidão e a inflicidade.

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  5. Na verdade, não penso como o realizador relativamente à comida nas salas de cinema.
    O que de facto me incomoda é a atitude dos espectadores, porque quando entro numa sala de cinema de um centro comercial, sei que (muito provavelmente) a grande maioria dos que lá se encontram não são observadores.
    O que me custa ver é a atitude.

    De facto não tinha pensado a postura do realizador dessa forma, mas (de facto) esta pode ter sido não apenas um tributo à sala de cinema, mas também uma estratégia de marketing. Afinal muitos realizadores vêem o cinema, não só como arte, mas como negócio.
    “A verdade é esta: questões afectivas à parte, o cinema é um negócio e tem de ter determinada audiência, se não perde dinheiro. Eu não tenho problemas nenhuns em ir aos centros comerciais: é onde me oferecem maior oferta e onde tenho mais conforto.” (Joaquim Leitão)
    Já não existem artistas como o Van Gogh, que criam arte porque necessitam dela para respirar, e não para comer.

    Desconhecia que o filme estava em digital, nas entrevistas e artigos que vi/li não encontrei qualquer referência a esse aspecto. É de facto uma desilusão, e mesmo um pouco hipócrita/ controverso que o realizador tente regressar às origens do cinema, com um filme digital.

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  6. Fico sempre surpreendida quando utilizas o meu nome.

    Por vezes acredito que quem tem estas conversas são o Sukhanov e o Filósofo de Merda.

    E depois recordo que por detrás do filósofo vive o Henrique.

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  7. Pois há.
    Há sempre a expectativa de criarmos mais e melhor.
    Mas por vezes preciso de esquecer tudo aquilo que já não é o que sou.
    Posso agora pensar que sou uma espécie de deus. Tenho novamente o poder de escrever, como quem se asfixia por prazer.
    porque sem saber o que era, não posso ser quem sou.
    Posso ser tudo.

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  8. Quem é o menino que não sabia chorar?

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  9. Não condeno a arte que propicia fortuna, mas aquela que pretende ser fortuna (negócio).

    No entanto eu acredito na arte como o alimento da alma, e só a consigo aceitar como batimento.

    Mas também eu traio o meu idealismo, ao pensar a arte, ao invés de a sentir apenas.

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Sinto-me bem com um alter-ego masculino, porque me sinto uma pessoa sem género.

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  12. As palavras sentidas valem por muitas mais.

    (E tu, conseguirias sentir-te bem com um alter-ego feminino)

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  13. É necessário pensar a arte, bem como a vida.
    Mas também é necessário evitar cair sob o domínio do pensamento. (equilíbrio)

    Os Homens, não partilham dos mesmos direitos.

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