1 de setembro de 2009

Louco da Pirâmide

levantai-vos agora ou nunca, filhos da alvorada. Ébrios, percorram os frios veios do granito da calçada. Acabarão sempre com o sabor de pó e cinza nos lábios, na suplica de ter força para erguer a cabeça. Nada adianta contra a vontade do relógio que se mantém imponente no centro da lua, a essas profecias embriagadas nada tenho a contrariar, mas nada tenho a acreditar da mesma maneira. As folhas aparecem de madrugada, dão a sombra que sempre o hábito domina, de noite tudo são viçosas pétalas a raiar pedaços minúsculos de luz, numa panóplia de cores, poucos se agarram ao seu cheiro.

Os que não o fazem, acordam.

Sou o velho que dorme no telhado da torre dos sinos, nunca lhes toco, tenho outros instrumentos.

9 comentários:

  1. Gosto também eu de me agarrar a cheiros e talvez por iso, também eu durma.

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  2. o meu quarto cheira a oriente e incenso. está tão bom.

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  3. Neste caso torna-se escravo das leis, esmorecendo.

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  4. epa, a mim acontece-me muito em tempo de aulas x) tens sorte. os meus amiguinhos gostam de dormir até ás duas da tarde e isso a mim faz-me confusão, por isso ou acordo com o bebé do vizinho de baixo (ás sete da manhã), ou por mim, que é duas horas mais tarde.

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  5. adoro quando num texto penso em várias coisas.

    a forma como ele se quebra.

    no início lembrou-me uma revolução onde já se sabe que se vai perder, mas apenas pelo sabor da luta, revolta e liberdade continuam a andar.

    o cheiro acalma as suas mentes perturbadas, os seus medos e desejos.

    dorme.

    não sei se durmo ou se estou acordada, acho que me encontro no meio. confusa e com sono, mas ao mesmo tempo desperta para o mundo.

    um velho, lembra-me histórias e sabedoria da vida que ainda não vivi.

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  6. o céu.

    "não consigo viver neste mundo, onde apenas vejo manchas humanas.

    então durmo para que tudo se desvaneça.

    mas quando acordo tudo continua igual.

    excepto o desespero que plantado no meu peito, apenas voltou a crescer."

    o sono e a esperança, como tudo podem criar alegria passageira ou mágoa duradoura.

    mas a beleza e a incerteza da vida derivam disso, da verdade de que tudo tem um oposto e apenas aconchega a dor e não a elimina; apenas cria alegria e não a preserva.

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  7. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  8. não peças desculpa, por algo que não necessita ser perdoado.

    não entendi o significado de "estou a começar a ver as coisas de uma nova maneira."

    mas talvez não seja suposto eu entender

    quando escreves acrescentas algo ao mundo, henrique.

    nunca pares de escrever.

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