Maurice não fala. Senta a sua estrutura sólida no arame, hirto, um elemento canónico da paisagem. Pintado no fundo do quarto, apresenta tons vermelhos banhados pela luz velha e amarela. Como estás Maurice? Como foste acabar sendo um cabide Maurice?
Silencioso como lhe é natural, sonha com os tempos de outrora em que era o rei, e o palhaço. As crianças olhavam-no, admirando-o, contemplando-o, como que um ser de outro universo. Sentia-se dono de uma elegância e carisma próprias de um herói mitológico. Desprezava-me, considerando-me um obstáculo à sua criação, bons tempos.
Agora apenas existe, servindo de cabide.
Quem é Maurice? eu, ou o monociclo?
13 de agosto de 2009
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